Polícia Civil deflagra quinta fase da Operação Eclipse e desmonta esquema de lavagem de dinheiro em Água Boa
Araguaia FM/Dana Campos | Polícia Civil-MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta terça-feira (30.09) a quinta fase da Operação Eclipse, que desvendou um sofisticado esquema de lavagem de capitais operado por uma facção criminosa com atuação em Água Boa, e ramificações em Rondonópolis e Barra do Garças.
Coordenada pela Delegacia de Água Boa, a operação identificou que o grupo criminoso utilizava a fachada de uma empresa chamada “Vale Crédito”, que servia para mascarar práticas de agiotagem e lavagem de dinheiro.
Foram cumpridas 18 ordens judiciais, expedidas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo) de Cuiabá, incluindo:
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7 mandados de busca e apreensão;
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7 mandados de prisão preventiva;
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2 bloqueios de contas bancárias;
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2 sequestros de bens.
No total, seis pessoas foram presas, entre elas um assessor de vereador da Câmara de Rondonópolis. A ação também resultou na apreensão de dinheiro em espécie, anotações de movimentações financeiras, celulares e outros dispositivos que darão continuidade às investigações.
O delegado Bruno Gomes, responsável pela operação, destacou a importância do trabalho:
“Essa investigação busca ir no eixo central que mantém esses grupos criminosos, que é a parte financeira. Nossa apuração identificou que parte do grupo atuava como uma espécie de factoring, emprestando dinheiro nas praças, inclusive para comerciantes. O objetivo é quebrar esse braço da facção.”
Participaram da operação cerca de 60 policiais civis das Diretorias do Interior e Metropolitana, com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
Estrutura do esquema
As investigações apontaram uma ampla rede de movimentações financeiras, voltadas à inserção e dissimulação de recursos ilícitos, principalmente oriundos do tráfico de drogas, no comércio de vários municípios mato-grossenses.
O “Vale Crédito” se apresentava como empresa de empréstimos a comerciantes, mas, na prática, funcionava como mecanismo de infiltração de capitais ilícitos, aplicando juros abusivos e pulverizando valores em contas de terceiros, com o objetivo de dificultar o rastreamento e conferir aparência de legalidade ao dinheiro da facção.
Segundo a Polícia, a atividade era totalmente clandestina, sem qualquer registro formal, sendo coordenada por integrantes da facção com divisão de funções e atuação estruturada em diferentes cidades do Estado.

Kiko Pinheiro


