OPERAÇÃO "MÁSCARA DE PAPEL": POLÍCIA CIVIL INVESTIGA DESPACHANTE ACUSADO DE LESAR CLIENTES EM CANARANA
A Delegacia de Polícia Judiciária Civil de Canarana recebeu, na manhã desta terça-feira (02), novas denúncias contra um despachante investigado na operação “Máscara de Papel”. O chefe de investigação Valdivino Vital informou que quatro novas vítimas formalizaram boletins de ocorrência relatando prejuízos financeiros significativos.
Entre os casos registrados:
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Uma vítima parcelou o documento do veículo em cinco vezes, mas descobriu no DETRAN que nenhuma parcela havia sido quitada.
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Outra pessoa pagou a documentação no cartão e verificou que o IPVA permanecia em aberto.
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Uma terceira vítima desembolsou R$ 3.169, acreditando quitar débitos, mas constatou que a dívida continuava.
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O quarto caso envolveu R$ 3.718, valor pago com a expectativa de regularização, mas apenas uma pequena parte foi abatida.
Segundo Valdivino, já são pelo menos sete vítimas oficialmente ouvidas, e há indícios de que outros prejudicados estariam negociando diretamente com o despachante para evitar o registro policial.
“Pedimos que todos que fizeram serviços com esse despachante verifiquem sua situação junto ao DETRAN. Caso encontrem débitos ou documentos adulterados, procurem a Polícia Civil para instruirmos o inquérito”, alertou Vital.
Valdivino explicou que os documentos falsificados apresentam dois níveis de adulteração:
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Em alguns casos, a fraude é visível a olho nu.
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Em outros, é mais sofisticada, exigindo perícia técnica da Politec para confirmar a falsificação.
O delegado Dr. Diogo coordena o inquérito, que nesta fase se concentra na oitiva das vítimas, coleta de provas e análise de documentos. Em seguida, será feita análise financeira detalhada.
O chefe de investigação alertou ainda que mesmo que as vítimas regularizem débitos diretamente com o despachante, precisam corrigir os documentos adulterados no DETRAN. Caso contrário, podem ser responsabilizadas por portar documento irregular — como ocorreu com um casal autuado recentemente pela Polícia Rodoviária Federal em Serra Dourada.
“Constatamos que, em muitos casos, o despachante quitava apenas a primeira parcela do licenciamento, permitindo a impressão do documento. A vítima acreditava estar tudo certo, mas quando ia ao DETRAN descobria que o restante da dívida não havia sido pago”, explicou Vital.
A Polícia Civil orienta os cidadãos a lerem o QR Code nos documentos veiculares, conferindo no site do DETRAN se o licenciamento realmente está quitado.
A investigação segue em andamento, e novas vítimas são esperadas para comparecer à Delegacia de Canarana.

Kiko Pinheiro


