EMPRESÁRIO DE 27 ANOS PERDE A VISÃO APÓS SUSPEITA DE INTOXICAÇÃO POR METANOL EM ÁGUA BOA (MT)

O jovem empresário Igor Thomae Rodrigues, de 27 anos, morador de Água Boa (736 km de Cuiabá), está internado em um hospital particular de Goiás após perder a visão possivelmente em decorrência de intoxicação por metanol, presente em uma bebida alcoólica adulterada. O caso é investigado pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT).

Segundo relato do próprio Igor, o caso começou na terça-feira (14), quando ele retornava de uma viagem a trabalho e decidiu comprar uma garrafa de whisky em um mercado da cidade. Ele contou que consumiu a bebida acompanhado de uma amiga, que não apresentou sintomas.

No dia seguinte, Igor começou a sentir forte sonolência, e, na quinta-feira (16), acordou com dores intensas de cabeça e no estômago, além de enjoo, vômitos e falta de ar. Ele relatou que, ao tentar respirar, sua visão começou a ficar branca, como se houvesse “duas lanternas acesas dentro dos olhos”.

O Corpo de Bombeiros de Água Boa realizou os primeiros socorros e o encaminhou ao Hospital Regional Paulo Alemão, onde o diagnóstico inicial foi de intoxicação por etanol. No entanto, não foram realizados exames toxicológicos que confirmassem a suspeita.

De acordo com nota da unidade, o paciente recebeu alta a pedido em 18/10, sendo orientado a procurar atendimento especializado. Após avaliação de uma oftalmologista da família, Igor foi encaminhado com urgência para tratamento em Goiânia, onde permanece internado, acompanhado da mãe.

A médica relatou que o nervo óptico do paciente estava comprometido, sem fluxo sanguíneo, o que indica lesão grave. Segundo Igor, os médicos suspeitam com quase 100% de certeza de intoxicação por metanol, substância altamente tóxica e potencialmente letal quando ingerida.

O Ministério da Saúde alerta que os sintomas da intoxicação por metanol podem surgir entre 12 e 24 horas após a ingestão, incluindo dor de cabeça, náusea, vômito, visão turva e dificuldade para respirar. Se o atendimento não for rápido, o risco de morte ultrapassa 50%, mas com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a mortalidade pode cair para menos de 10%.

As autoridades de saúde reforçam a importância de não consumir bebidas alcoólicas de origem duvidosa ou sem procedência comprovada, especialmente aquelas vendidas a granel, com preço muito abaixo do mercado ou sem selo de fiscalização.

O caso de Igor acende um alerta em Mato Grosso para os riscos da adulteração de bebidas alcoólicas e a necessidade de fiscalização rigorosa e conscientização da população.