Mulher permanece detida em delegacia de Canarana por falta de vaga no sistema prisional
Uma mulher de 29 anos permanece detida há mais de uma semana na Delegacia da Polícia Civil de Canarana Mato Grosso, enquanto aguarda definição sobre sua transferência para uma unidade do sistema prisional do Estado.
De acordo com informações apuradas, a detenta deveria ser encaminhada para a Cadeia Pública de Nova Xavantina. No entanto, a unidade encontra-se interditada no momento, o que tem impedido a transferência. Desde o dia 23 de março, a mulher segue custodiada na delegacia, aguardando decisão do Poder Judiciário sobre o destino da prisão, seja para outra unidade prisional ou outra medida judicial.
A situação evidencia um problema recorrente enfrentado pelas forças de segurança: a falta de vagas no sistema penitenciário. Pela legislação brasileira, pessoas presas não devem permanecer por longos períodos em delegacias, que são destinadas apenas aos procedimentos iniciais, como registro do flagrante e realização de audiência de custódia.
Enquanto a transferência não ocorre, a mulher permanece no espaço da delegacia, que não possui estrutura adequada para custódia prolongada de detentos. Delegacias não são preparadas para oferecer condições de permanência por vários dias, o que acaba gerando dificuldades tanto para os custodiados quanto para os próprios servidores.
O caso ocorre em meio a uma mobilização de policiais civis em Mato Grosso, que têm chamado atenção para a sobrecarga enfrentada nas unidades policiais. Segundo representantes da categoria, além das atividades investigativas, os profissionais acabam assumindo também responsabilidades relacionadas à custódia de presos, situação que, segundo eles, foge das atribuições previstas para as delegacias.
A falta de vagas nas unidades prisionais do Estado continua sendo apontada como um dos principais desafios da segurança pública, impactando diretamente o funcionamento das delegacias e o encaminhamento adequado de pessoas presas.

Kiko Pinheiro


